Oncologia

7 minutos de leitura

Leucemia infantil: o que é, sintomas e tratamentos

Saiba como a leucemia infantil pode se manifestar em crianças.
ECHN
Equipe Complexo Hospitalar de Niterói - Geral Atualizado em 25/03/2026
Leucemia infantil

Saiba como a leucemia infantil pode se manifestar em crianças.

Toda mãe e todo pai conhecem bem a rotina: um dia a criança está cheia de energia, e no outro parece mais quieta, talvez com uma febre que não cede ou com roxos que surgem sem uma queda aparente. Na maioria das vezes, são apenas fases do crescimento ou viroses comuns. A persistência desses sinais exige atenção e pode gerar uma preocupação compreensível.

Receber a suspeita ou o diagnóstico de leucemia infantil é um momento de grande impacto para qualquer família. Porém, a informação de qualidade é essencial para mais segurança e esperança. Atualmente, os avanços da medicina transformaram o prognóstico dessa doença, tornando a cura uma realidade para a grande maioria dos casos.

O que é a leucemia infantil?

A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue. Sua origem está na medula óssea, tecido esponjoso localizado no interior dos ossos onde são produzidas todas as células sanguíneas: os glóbulos vermelhos (hemácias), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas.

Na leucemia, uma célula-tronco da medula sofre uma mutação genética e começa a se multiplicar de forma descontrolada, gerando células doentes e imaturas chamadas blastos. Essas células anormais se acumulam na medula, substituindo as células saudáveis. Essa substituição impede a produção adequada das células normais, o que causa os sintomas da doença.

É importante notar que a leucemia em crianças apresenta características biológicas distintas, o que exige abordagens de tratamento especializadas, diferentes das utilizadas em adultos. Essa individualização é fundamental para garantir maior segurança e eficácia durante a recuperação dos pequenos pacientes.

Quais são os tipos mais comuns em crianças?

As leucemias são classificadas com base na velocidade de progressão (aguda ou crônica) e no tipo de glóbulo branco afetado (linfoide ou mieloide). Em crianças, as formas agudas são as mais prevalentes.

Os dois tipos principais são:

  • Leucemia Linfoide Aguda (LLA): é a mais comum, representando cerca de 75% de todos os casos de leucemia infantil. Ela afeta as células linfoides e, felizmente, é o tipo que apresenta as maiores taxas de cura.

  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): é menos frequente, correspondendo a aproximadamente 20% dos casos. Afeta as células mieloides e seu tratamento costuma ser mais intensivo.

Quais são os principais sinais e sintomas da leucemia infantil?

Os sintomas da leucemia surgem devido à diminuição das células sanguíneas saudáveis. Eles podem ser confundidos com doenças infantis comuns, por isso a persistência dos sinais é o principal alerta.

É importante observar que caso a criança apresente alguns sintomas, como os detalhados abaixo, é necessário que um médico acompanhe para investigar o real motivo e consiga diagnosticar o quadro.

  • Cansaço, palidez e fraqueza: há uma diminuição dos glóbulos vermelhos (anemia), que transportam oxigênio;

  • Manchas roxas (equimoses) e sangramentos): em alguns casos, há a queda no número de plaquetas, responsáveis pela coagulação. Podem ocorrer sangramentos no nariz ou gengiva;

  • Febre e infecções recorrentes: outras crianças podem apresentar um baixo número de glóbulos brancos saudáveis (neutrófilos), que defendem o corpo contra infecções;

  • Dores nos ossos e articulações: pode existir o acúmulo de células leucêmicas na medula óssea, causando pressão e dor. A criança pode vir a mancar;

  • Aumento de gânglios (ínguas): quando ocorre a infiltração de de células doentes nos gânglios linfáticos, pode vir a surgir caroços no pescoço, axilas ou virilha;

  • Inchaço abdominal: por último, pode haver um aumento do tamanho do fígado ou do baço pelo acúmulo de blastos.

A presença de um ou mais desses sintomas de forma contínua deve ser avaliada por um pediatra, que poderá solicitar os exames iniciais e, se necessário, encaminhar para um especialista em oncologia pediátrica.

Como é feito o diagnóstico da leucemia em crianças?

A investigação diagnóstica geralmente segue duas etapas fundamentais para confirmar a doença e determinar seu tipo exato, o que é crucial para definir o tratamento.

A importância do hemograma inicial

O primeiro passo é um exame de sangue simples, o hemograma completo. Este exame pode revelar alterações importantes, como a contagem muito baixa ou muito alta de glóbulos brancos, além de anemia e baixa de plaquetas. A presença de blastos no sangue periférico é um forte indicativo da doença.

O que é o mielograma e por que ele é necessário?

Se o hemograma for suspeito, o médico solicitará o mielograma. Este é o exame confirmatório, que consiste na coleta de uma pequena amostra da medula óssea, geralmente do osso da bacia, sob sedação ou anestesia.

A análise dessa amostra permite confirmar a presença de células leucêmicas, identificar o tipo exato da leucemia (LLA ou LMA) e realizar outros estudos genéticos que guiarão a escolha do tratamento mais eficaz.

A ciência atual permite mapear o DNA da leucemia com grande precisão, utilizando as amostras do mielograma. Essa análise detalhada é crucial, pois ajuda os médicos a oferecerem tratamentos personalizados, aumentando significativamente as chances de sucesso e cura.

A leucemia infantil tem cura?

Esta é a informação mais importante para as famílias. Graças aos protocolos de tratamento modernos e ao cuidado especializado, as chances de cura da leucemia infantil são muito altas. Segundo o Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), cerca de 90% das crianças com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) alcançam a cura completa.

Esses avanços no tratamento são responsáveis por taxas globais de cura da leucemia infantil que variam entre 75% e 90%, oferecendo uma grande esperança para as famílias.

O sucesso do tratamento depende diretamente do diagnóstico precoce, da classificação correta da doença e do acesso a um centro de tratamento especializado, com uma equipe experiente no cuidado oncológico pediátrico.

Quais são as opções de tratamento disponíveis?

O tratamento da leucemia infantil é um processo bem estabelecido, planejado em fases e adaptado ao tipo de leucemia e aos fatores de risco de cada paciente. O objetivo é destruir as células doentes e restaurar a produção normal de células na medula óssea.

O papel central da quimioterapia

A quimioterapia é a base do tratamento para a maioria dos casos de leucemia infantil. Consiste no uso de medicamentos que destroem as células cancerígenas. O tratamento é longo, dividido em fases que incluem a indução (para eliminar a maioria das células doentes), a consolidação (para combater as células restantes) e a manutenção (para prevenir que a doença retorne).

Outras abordagens terapêuticas

Além da quimioterapia, outras terapias podem ser utilizadas, como a imunoterapia, que utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer. A radioterapia é usada em situações mais específicas, como para tratar ou prevenir a doença no sistema nervoso central.

Paralelamente, pesquisas científicas modernas estão constantemente buscando tratamentos ainda mais eficazes, especialmente para a leucemia infantil. O foco é desenvolver terapias que atuem de forma mais seletiva, atacando apenas as células doentes e preservando ao máximo a saúde futura da criança.

Quando o transplante de medula óssea é indicado?

O Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas (TCTH), popularmente conhecido como transplante de medula óssea, é reservado para casos de maior risco ou quando a doença retorna após o tratamento inicial. Ele consiste em substituir a medula óssea doente por uma medula saudável de um doador compatível.

Após o transplante, testes genéticos específicos são realizados para identificar rapidamente se as novas células da medula óssea foram aceitas pelo corpo do paciente. Esse monitoramento é essencial para garantir maior segurança e eficácia no processo de recuperação da leucemia.

Como uma equipe multidisciplinar pode ajudar a criança e a família?

O tratamento oncológico vai muito além dos medicamentos. O suporte de uma equipe multidisciplinar é fundamental para o bem-estar da criança e o amparo da família durante toda a jornada. Esse time de especialistas trabalha de forma integrada para oferecer um cuidado completo.

Oncopediatras, enfermeiros especializados, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais atuam juntos para controlar os efeitos colaterais do tratamento, garantir uma nutrição adequada, oferecer suporte emocional e ajudar a família a navegar pelos desafios logísticos e emocionais do processo.

Onde encontrar tratamento especializado da leucemia infantil em Niterói?

Enfrentar o diagnóstico de leucemia infantil exige acesso a uma estrutura hospitalar completa e humanizada. O Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) dispõe de uma linha de cuidado em oncologia pediátrica preparada para oferecer o que há de mais moderno em diagnóstico e tratamento, aliada a um cuidado acolhedor e multidisciplinar.

Contar com um centro de referência, que integra tecnologia de ponta e uma equipe de especialistas dedicados ao cuidado infantil, faz toda a diferença para garantir as melhores chances de cura e qualidade de vida para a criança e sua família.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

Chaudhury S, O'Connor C, Cañete A, Bittencourt-Silvestre J, Sarrou E, Prendergast Á, Choi J, Johnston P, Wells CA, Gibson B, Keeshan K. Age-specific biological and molecular profiling distinguishes paediatric from adult acute myeloid leukaemias. Nat Commun. 2018 Dec 11;9(1):5280. doi: 10.1038/s41467-018-07584-1. PMID: 30538250; PMCID: PMC6290074. Disponível: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30538250/. Acesso em: 25 mar. 2026.

KARSA, M. et al. Exploiting the reactive oxygen species imbalance in high-risk paediatric acute lymphoblastic leukaemia through auranofin. British Journal of Cancer, [s. l.], abr. 2021. Disponível: https://www.nature.com/articles/s41416-021-01332-x. Acesso em: 25 mar. 2026.

NAYYAR, A.; AHMED, S. Densitometry of STR-PAGE for donor chimerism in acute leukemia’s: a simple method for routine use. Pakistan Journal of Medical Sciences, [S. l.], v. 40, n. 5, 2024. DOI: https://pjms.org.pk/index.php/pjms/article/view/9216. Acesso em: 25 mar. 2026.

RICHTER-PECHAŃSKA, P. et al. PDX models recapitulate the genetic and epigenetic landscape of pediatric T-cell leukemia. EMBO Molecular Medicine, [S. l.], v. 10, n. 12, e9443, nov. 2018. Disponível: https://link.springer.com/article/10.15252/emmm.201809443. Acesso em: 25 mar. 2026.

Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). Leucemia é o câncer que mais atinge crianças e adolescentes. 2024. Disponível: https://abrale.org.br/abrale-na-midia/leucemia-e-o-cancer-que-mais-atinge-criancas-e-adolescentes/. Acesso em: 25 mar. 2026.

Escrito por
ECHN

Equipe Complexo Hospitalar de Niterói

Geral
Escrito por
ECHN

Equipe Complexo Hospitalar de Niterói

Geral