Transplante de Fígado

5 minutos de leitura

Será que o transplante não está indo bem? Veja 5 sintomas de rejeição do fígado transplantado

Os sintomas de rejeição do fígado transplantado podem indicar alterações na função do órgão. Veja alguns sinais clínicos importantes
CHN
Equipe CHN - Equipe CHN Atualizado em 29/04/2026
sintomas de rejeição de fígado transplantado.jpg

Os sintomas de rejeição do fígado transplantado podem aparecer de diferentes formas e estar relacionados a alterações no funcionamento do organismo.

O transplante de fígado é uma intervenção proposta para quadros de insuficiência hepática grave, visando substituir um órgão com perda de função por um enxerto saudável.

Este processo pode ser comparado a um sistema de segurança altamente eficiente. O sistema imunológico do receptor funciona como uma sentinela que, ao identificar o novo fígado como um elemento "estranho", inicia um processo de ataque celular direcionado ao órgão.

O objetivo dessa reação natural é proteger o organismo. Mas no contexto do transplante, esse mecanismo precisa ser controlado para evitar complicações e preservar a função do fígado transplantado.

Através do equilíbrio entre a medicação e a resposta biológica, busca-se garantir que o novo órgão seja aceito, evitando que a inflamação comprometa a saúde do paciente.

5 sintomas que podem estar relacionados à rejeição do fígado transplantado

Os índices de rejeição crônica no transplante de fígado são menores quando comparados a outros órgãos sólidos, como o transplante de coração.

Os avanços no uso de imunossupressores, medicamentos que reduzem a resposta do sistema imunológico após o transplante, contribuíram para melhores resultados clínicos. Ainda assim, a rejeição do órgão pode ocorrer e continua a fazer parte do acompanhamento dos pacientes, como aponta o estudo de Maddur et al. (2024).

A incidência em adultos tem se mantido relativamente estável ao longo dos anos. Uma parcela dos receptores pode apresentar anticorpos específicos, o que reforça a importância do monitoramento regular para evitar alterações na função.

A rejeição ocorre quando o organismo do receptor reconhece o fígado transplantado como algo estranho. Nesse processo, células de defesa, como as células T (responsáveis por proteger o corpo) e os anticorpos podem atacar estruturas do fígado, como os canais biliares e os vasos sanguíneos.

Esse processo inflamatório pode alterar o funcionamento do corpo e levar ao aparecimento de sinais que ajudam a identificar mudanças no transplante.

O acompanhamento permite avaliar como o sistema imunológico está respondendo ao tratamento. Quando necessário, o médico pode orientar que sejam feitos ajustes na medicação para preservar o funcionamento do fígado ao longo do tempo.

Icterícia (amarelamento da pele e olhos)

A icterícia é um sinal objetivo de disfunção do enxerto e ocorre quando o fígado não processa a bilirrubina adequadamente.

O acúmulo da substância manifesta-se visualmente pelo tom amarelado nos olhos e na pele. A sua presença pode indicar que o órgão transplantado não está funcionando como esperado e precisa ser avaliado pela equipe médica para entender a causa.

Alterações na coloração da urina e das fezes

A observação da urina e das fezes pode ajudar a identificar uma possível rejeição. A urina pode ficar mais escura, com aspecto semelhante a chá ou café. O que ocorre devido ao acúmulo de substâncias que normalmente seriam processadas pelo fígado.

As fezes podem ficar mais claras ou acinzentadas quando há redução na passagem da bile para o intestino.

Fadiga persistente e mal-estar geral

A fadiga associada a episódios de rejeição costuma ser incapacitante e difere do cansaço natural da recuperação cirúrgica.

A pessoa receptora manifesta uma prostração profunda acompanhada de uma sensação de indisposição que não apresenta melhora com o repouso.

Febre e reação sistêmica

A febre surge como uma resposta inflamatória sistêmica diante da agressão imunológica ao novo fígado. Ela sinaliza que o sistema de defesa do receptor está em atividade intensa.

Nos quadros de rejeição, a temperatura costuma elevar-se acima dos 38°C de forma persistente.

O estado febril frequentemente vem acompanhado de calafrios, indicando que o processo de rejeição está a gerar uma reação em todo o organismo, o que requer atenção médica ágil.

Sensibilidade e manifestações abdominais

O desconforto na região superior direita do abdome é um sintoma frequente, manifestando-se como dor aguda ou sensação de peso no local da cirurgia.

Essa sensibilidade está ligada ao aumento do volume do fígado (hepatomegalia), provocado pelo edema e pelo infiltrado de células de defesa.

Além da dor, pode ocorrer a ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Isso acontece quando a rejeição interfere na circulação portal, gerando resistência nos vasos internos.

O abdome também pode apresentar rigidez e aspecto distendido, funcionando como um alerta clínico crítico para a necessidade de ajustes na dosagem da imunossupressão.

Como agir e quais os caminhos para o tratamento

Ao identificar qualquer um dos sinais descritos, é indicado entrar em contato com a equipe responsável pelo transplante hepático.

Segundo Almeida et al. (2024), episódios de rejeição tardia podem impactar a função do órgão transplantado e a qualidade de vida do paciente.

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, com destaque para a avaliação das enzimas hepáticas, podendo incluir biópsia para confirmação do quadro.

O tratamento, quando necessário, geralmente envolve ajustes na imunossupressão, com modificação das doses de medicamentos e outras condutas definidas pela equipe médica.

A identificação precoce dessas alterações contribui para melhores desfechos e para a preservação da função do fígado ao longo do acompanhamento.

A continuidade do cuidado como base para a recuperação

O transplante de fígado representa um avanço importante no tratamento de doenças graves do órgão, ampliando as possibilidades de recuperação funcional.

O acompanhamento após o procedimento em serviços especializados contribui para a identificação de modificações e para ajustes no tratamento quando necessário.

Em alguns centros hospitalares de referência, como o Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), esse acompanhamento é realizado por equipes multiprofissionais, com protocolos estruturados e monitoramento contínuo do paciente.

A integração entre o monitoramento médico, adesão ao tratamento e vigilância clínica pode contribuir para a manutenção da função do fígado transplantado e para a retomada gradual das atividades do paciente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

[Updated 2024 Feb 22]. In: J Clin Exp Hepatol [Internet]. India: Elsevier; 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38495462/. Acesso em: 17 abr. 2026.

RESENDE E ALMEIDA, Giulia Manuella; SILVA, Bernardo Vieira de Castro; MENEGHETI, Suzzy Caroline; CAMPIGOTTO, Roberto Spadoni. Rejeição aguda tardia no transplante de fígado: revisão sistemática. [Updated 2024]. In: Arquivos de Hepatologia [Internet]. 2024. Disponível em: https://ojs.latinamericanpublicacoes.com.br/ojs/index.php/ah/article/view/1832. Acesso em: 17 abr. 2026.

Angelico R, Sensi B, Manzia TM, Tisone G, Grassi G, Signorello A, Milana M, Lenci I, Baiocchi L. Chronic rejection after liver transplantation: Opening the Pandora's box. [Updated 2021 Dec 7]. In: World J Gastroenterol [Internet]. China: Baishideng Publishing Group; 2021. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34963740/. Acesso em: 17 abr. 2026.

Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Relatório para a Sociedade nº 569: Pesquisa C4D Transplante. [Updated 2025]. In: Ministério da Saúde [Internet]. Brasília (DF): CONITEC; 2025. Available from: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2025/sociedade/relatorio-para-sociedade-no-569-pesquisa-c4d-transplante. Acesso em: 17 abr. 2026.

Escrito por
CHN

Equipe CHN

Equipe CHN
Escrito por
CHN

Equipe CHN

Equipe CHN