
Recebeu o diagnóstico de triglicérides elevados? Entenda as causas e as principais estratégias para normalizar seus níveis.
Aquele momento em que você abre o resultado de um exame de sangue e se depara com um número em negrito ao lado de "Triglicérides" pode gerar apreensão. Essa gordura, embora essencial para o corpo, quando em excesso, se torna um fator de risco silencioso para diversas complicações de saúde.
Felizmente, a mudança de hábitos é a principal ferramenta para reverter esse quadro. Com ajustes na alimentação e no estilo de vida, é possível reduzir os níveis de triglicérides e proteger seu coração e pâncreas. Entender o que fazer é o caminho para uma vida mais saudável.
O que são triglicérides e por que níveis altos preocupam?
Os triglicérides, também chamados de triglicerídeos, são a forma mais comum de gordura presente em nosso corpo. Eles funcionam como uma reserva de energia: quando consumimos mais calorias do que gastamos, o organismo as converte em triglicérides e as armazena nas células de gordura para uso futuro. Inclusive, em estudos clínicos com novos medicamentos, é comum que mais de 5% dos pacientes em tratamento apresentem triglicérides e colesterol elevados.
O problema surge quando essa reserva se torna excessiva, uma condição conhecida como hipertrigliceridemia. Níveis persistentemente altos no sangue estão associados a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.
A prevenção cardiovascular, incluindo o controle dos triglicérides, é vital, pois complicações graves após um infarto, como o defeito septal ventricular, são consideradas catastróficas. Além disso, ter triglicérides altos pode, em alguns casos, manifestar sinais visíveis na pele, o que reforça a necessidade de tratamento. Valores muito elevados também podem causar pancreatite aguda, uma inflamação grave do pâncreas.
Quais são as principais causas do aumento dos triglicérides?
O aumento dos triglicérides raramente tem uma única causa. Geralmente, é resultado de uma combinação de fatores genéticos e, principalmente, de estilo de vida. A alimentação inadequada, rica em calorias, açúcares e gorduras de má qualidade, é o principal gatilho. Dietas ricas em gordura e, principalmente, açúcares (sacarose) são grandes contribuintes para o aumento dos triglicérides, pois estão ligadas ao aumento de disfunções metabólicas, tornando crucial evitá-las. Outros fatores importantes incluem:
- Sedentarismo: a falta de atividade física impede a queima do excesso de calorias.
- Consumo de álcool: o álcool é rico em calorias e açúcar, sendo rapidamente convertido em triglicérides pelo fígado.
- Sobrepeso e obesidade: o excesso de tecido adiposo está diretamente ligado a níveis mais altos.
- Condições médicas: diabetes tipo 2 não controlado, hipotireoidismo e doenças renais podem elevar os triglicérides.
Como a alimentação impacta diretamente os níveis de triglicérides?
A dieta é o pilar central no tratamento da hipertrigliceridemia. O que você come tem um efeito direto e rápido sobre os níveis dessa gordura no sangue. A estratégia se baseia em reduzir o que eleva os triglicérides e aumentar o que ajuda a controlá-los. Alimentos que devem ser limitados ou evitados O foco principal é diminuir o consumo de carboidratos simples e açúcares, que são as fontes mais eficientes para a produção de triglicérides pelo corpo.
Refrigerantes, sucos industrializados, doces, bolos, mel, açúcar de mesa. Pão branco, massas, arroz branco, biscoitos, salgados. Comidas prontas congeladas, fast-food, embutidos, salgadinhos de pacote. Cerveja, vinho, destilados. Frituras, carnes gordas, margarina, alimentos com "gordura vegetal hidrogenada".
Alimentos que ajudam a reduzir os triglicérides
Para baixar os níveis, a dieta deve ser rica em fibras, gorduras saudáveis e carboidratos complexos, que têm absorção mais lenta e ajudam na saciedade.
- Fontes de fibras: aveia, quinoa, arroz integral, pão integral, feijão, lentilha, grão-de-bico, além de frutas com casca e bagaço.
- Peixes ricos em ômega-3: salmão, sardinha, atum e cavala são excelentes fontes dessa gordura anti-inflamatória que ajuda a reduzir os triglicérides.
- Outras fontes de gorduras boas: azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas, amêndoas, nozes e sementes como chia e linhaça. Legumes e verduras: são baixos em calorias e ricos em fibras e nutrientes. Devem compor a base das principais refeições.
Qual é o papel da atividade física no controle dos triglicérides?
A prática regular de exercícios físicos é indispensável. A atividade física ajuda a queimar as calorias que, de outra forma, seriam convertidas em triglicérides e armazenadas como gordura. Ela também melhora a sensibilidade à insulina, o que otimiza o uso de glicose pelo corpo.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no mínimo, 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana. Isso pode ser distribuído em sessões de 30 minutos, cinco vezes por semana. Caminhadas aceleradas, corrida, natação e ciclismo são ótimas opções. Combinar exercícios aeróbicos com treinos de força, como a musculação, traz benefícios ainda maiores.
É preciso parar de beber álcool para baixar os triglicérides?
Sim, para quem tem triglicérides altos, a redução drástica ou a eliminação do álcool é uma das medidas mais eficazes. O álcool é processado no fígado, o mesmo órgão responsável por regular a produção de triglicérides. O consumo de bebidas alcoólicas sobrecarrega o fígado e estimula a produção dessa gordura. Mesmo o consumo moderado pode ter um impacto significativo nos níveis de triglicérides de pessoas sensíveis. Portanto, conversar com seu médico sobre a suspensão do álcool durante o tratamento é uma estratégia fundamental.
Quando é necessário procurar ajuda médica?
Embora as mudanças no estilo de vida sejam a base do tratamento, elas podem não ser suficientes para todos. É essencial manter o acompanhamento médico regular para monitorar os níveis de triglicérides e avaliar a eficácia das estratégias adotadas. Um estudo relevante, o REDUCE-IT, demonstrou que pacientes com triglicérides elevados que já utilizavam estatinas, ao adicionar um medicamento chamado icosapent ethyl, conseguiram reduzir significativamente o risco de ataques cardíacos e morte cardiovascular.
Se, mesmo após a implementação de uma dieta saudável e da prática de exercícios, os níveis permanecerem muito altos, o médico poderá avaliar a necessidade de introduzir medicamentos específicos, como os fibratos. A decisão de medicar depende dos valores do exame, da presença de outros fatores de risco e do histórico clínico do paciente.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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