Endocrinologia

5 minutos de leitura

Como baixar o triglicérides alto: um guia prático para sua saúde

Níveis de triglicérides altos? Descubra o que fazer para baixar com dicas práticas de alimentação, exercícios e mudanças no estilo de vida. Cuide da sua saúde.
CHN
Equipe CHN - Equipe CHN Atualizado em 30/01/2026
Como baixar o triglicérides alto

Recebeu o diagnóstico de triglicérides elevados? Entenda as causas e as principais estratégias para normalizar seus níveis.

Aquele momento em que você abre o resultado de um exame de sangue e se depara com um número em negrito ao lado de "Triglicérides" pode gerar apreensão. Essa gordura, embora essencial para o corpo, quando em excesso, se torna um fator de risco silencioso para diversas complicações de saúde.

Felizmente, a mudança de hábitos é a principal ferramenta para reverter esse quadro. Com ajustes na alimentação e no estilo de vida, é possível reduzir os níveis de triglicérides e proteger seu coração e pâncreas. Entender o que fazer é o caminho para uma vida mais saudável.

O que são triglicérides e por que níveis altos preocupam?

Os triglicérides, também chamados de triglicerídeos, são a forma mais comum de gordura presente em nosso corpo. Eles funcionam como uma reserva de energia: quando consumimos mais calorias do que gastamos, o organismo as converte em triglicérides e as armazena nas células de gordura para uso futuro. Inclusive, em estudos clínicos com novos medicamentos, é comum que mais de 5% dos pacientes em tratamento apresentem triglicérides e colesterol elevados.

O problema surge quando essa reserva se torna excessiva, uma condição conhecida como hipertrigliceridemia. Níveis persistentemente altos no sangue estão associados a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

A prevenção cardiovascular, incluindo o controle dos triglicérides, é vital, pois complicações graves após um infarto, como o defeito septal ventricular, são consideradas catastróficas. Além disso, ter triglicérides altos pode, em alguns casos, manifestar sinais visíveis na pele, o que reforça a necessidade de tratamento. Valores muito elevados também podem causar pancreatite aguda, uma inflamação grave do pâncreas.

Quais são as principais causas do aumento dos triglicérides?

O aumento dos triglicérides raramente tem uma única causa. Geralmente, é resultado de uma combinação de fatores genéticos e, principalmente, de estilo de vida. A alimentação inadequada, rica em calorias, açúcares e gorduras de má qualidade, é o principal gatilho. Dietas ricas em gordura e, principalmente, açúcares (sacarose) são grandes contribuintes para o aumento dos triglicérides, pois estão ligadas ao aumento de disfunções metabólicas, tornando crucial evitá-las. Outros fatores importantes incluem:

  • Sedentarismo: a falta de atividade física impede a queima do excesso de calorias.
  • Consumo de álcool: o álcool é rico em calorias e açúcar, sendo rapidamente convertido em triglicérides pelo fígado.
  • Sobrepeso e obesidade: o excesso de tecido adiposo está diretamente ligado a níveis mais altos.
  • Condições médicas: diabetes tipo 2 não controlado, hipotireoidismo e doenças renais podem elevar os triglicérides.

Como a alimentação impacta diretamente os níveis de triglicérides?

A dieta é o pilar central no tratamento da hipertrigliceridemia. O que você come tem um efeito direto e rápido sobre os níveis dessa gordura no sangue. A estratégia se baseia em reduzir o que eleva os triglicérides e aumentar o que ajuda a controlá-los. Alimentos que devem ser limitados ou evitados O foco principal é diminuir o consumo de carboidratos simples e açúcares, que são as fontes mais eficientes para a produção de triglicérides pelo corpo.

Refrigerantes, sucos industrializados, doces, bolos, mel, açúcar de mesa. Pão branco, massas, arroz branco, biscoitos, salgados. Comidas prontas congeladas, fast-food, embutidos, salgadinhos de pacote. Cerveja, vinho, destilados. Frituras, carnes gordas, margarina, alimentos com "gordura vegetal hidrogenada".

Alimentos que ajudam a reduzir os triglicérides

Para baixar os níveis, a dieta deve ser rica em fibras, gorduras saudáveis e carboidratos complexos, que têm absorção mais lenta e ajudam na saciedade.

  • Fontes de fibras: aveia, quinoa, arroz integral, pão integral, feijão, lentilha, grão-de-bico, além de frutas com casca e bagaço.
  • Peixes ricos em ômega-3: salmão, sardinha, atum e cavala são excelentes fontes dessa gordura anti-inflamatória que ajuda a reduzir os triglicérides.
  • Outras fontes de gorduras boas: azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas, amêndoas, nozes e sementes como chia e linhaça. Legumes e verduras: são baixos em calorias e ricos em fibras e nutrientes. Devem compor a base das principais refeições.

Qual é o papel da atividade física no controle dos triglicérides?

A prática regular de exercícios físicos é indispensável. A atividade física ajuda a queimar as calorias que, de outra forma, seriam convertidas em triglicérides e armazenadas como gordura. Ela também melhora a sensibilidade à insulina, o que otimiza o uso de glicose pelo corpo.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no mínimo, 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana. Isso pode ser distribuído em sessões de 30 minutos, cinco vezes por semana. Caminhadas aceleradas, corrida, natação e ciclismo são ótimas opções. Combinar exercícios aeróbicos com treinos de força, como a musculação, traz benefícios ainda maiores.

É preciso parar de beber álcool para baixar os triglicérides?

Sim, para quem tem triglicérides altos, a redução drástica ou a eliminação do álcool é uma das medidas mais eficazes. O álcool é processado no fígado, o mesmo órgão responsável por regular a produção de triglicérides. O consumo de bebidas alcoólicas sobrecarrega o fígado e estimula a produção dessa gordura. Mesmo o consumo moderado pode ter um impacto significativo nos níveis de triglicérides de pessoas sensíveis. Portanto, conversar com seu médico sobre a suspensão do álcool durante o tratamento é uma estratégia fundamental.

Quando é necessário procurar ajuda médica?

Embora as mudanças no estilo de vida sejam a base do tratamento, elas podem não ser suficientes para todos. É essencial manter o acompanhamento médico regular para monitorar os níveis de triglicérides e avaliar a eficácia das estratégias adotadas. Um estudo relevante, o REDUCE-IT, demonstrou que pacientes com triglicérides elevados que já utilizavam estatinas, ao adicionar um medicamento chamado icosapent ethyl, conseguiram reduzir significativamente o risco de ataques cardíacos e morte cardiovascular.

Se, mesmo após a implementação de uma dieta saudável e da prática de exercícios, os níveis permanecerem muito altos, o médico poderá avaliar a necessidade de introduzir medicamentos específicos, como os fibratos. A decisão de medicar depende dos valores do exame, da presença de outros fatores de risco e do histórico clínico do paciente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

DIVYA, A.; DALAL, N.; SÁ, M. P. Postmyocardial infarction ventricular septal defect. JACC Case Reports, [S.l.], nov. 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaccas.2025.106053. KARCH, J. et al. Part I: Cutaneous manifestations of cardiovascular disease. Journal of the American Academy of Dermatology, [S.l.], abr. 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2021.06.902. UPPAL, N. et al. South Asian representation in cardiovascular disease randomized controlled trials. JACC Asia, [S.l.], 16 ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jacasi.2025.06.017. ZHANG, C. et al. Genetic associations of metabolic factors and therapeutic drug targets with polycystic ovary syndrome. Journal of Advanced Research, [S.l.], nov. 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jare.2024.10.038. ZHANG, S. et al. Xeligekimab, an Interleukin-17A antagonist for active radiographic axial spondyloarthritis in Chinese patients: 16- and 48-week results from a phase III, randomized, double-blind, placebo-controlled study. Biodrugs, [S.l.], nov. 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s40259-025-00750-0.

Escrito por
CHN

Equipe CHN

Equipe CHN
Escrito por
CHN

Equipe CHN

Equipe CHN