Cardiologia Pediátrica

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Tratamento da arritmia cardíaca infantil: um guia para pais

Entenda as opções de tratamento para arritmia cardíaca infantil. Saiba como funciona a recuperação e quando se preocupar.
CHN
Equipe CHN - Equipe CHN Atualizado em 19/02/2026
Arritmia cardíaca infantil tratamento

Receber o diagnóstico de uma condição cardíaca em um filho pode ser assustador. Entenda aqui as abordagens e os caminhos seguros.

Você coloca a mão no peito do seu filho para acalmá-lo após uma brincadeira e sente algo diferente: o coração parece bater de forma descompassada ou rápida demais. Esse momento, que pode gerar grande ansiedade, é o primeiro contato de muitas famílias com a possibilidade de uma arritmia cardíaca infantil.

Embora o nome assuste, é fundamental entender que nem toda arritmia representa um perigo iminente. Com o diagnóstico correto e o acompanhamento de um especialista, a maioria das crianças pode levar uma vida normal e saudável.

O que é a arritmia cardíaca infantil?

A arritmia cardíaca é qualquer alteração no ritmo normal do coração, que é controlado por um sistema elétrico interno. Em crianças, isso pode significar que o coração bate muito rápido (taquicardia), muito devagar (bradicardia) ou de maneira irregular.

Esse sistema elétrico garante que o coração se contraia de forma coordenada para bombear sangue para todo o corpo. Quando há uma falha ou um "curto-circuito" nesses sinais elétricos, o ritmo cardíaco é afetado.

Arritmia em crianças é normal ou sempre perigoso?

É uma das perguntas mais comuns nos consultórios de cardiologia pediátrica. A resposta é que depende do tipo e da causa da arritmia. A arritmia sinusal, por exemplo, é uma variação normal do ritmo cardíaco que ocorre com a respiração e é muito comum em crianças saudáveis, não exigindo tratamento.

Contudo, outros tipos de arritmia podem estar associados a sintomas ou a doenças cardíacas estruturais, necessitando de uma investigação aprofundada. O fator determinante para a gravidade é se a arritmia compromete a capacidade do coração de bombear sangue eficientemente.

Quais são os principais tipos?

As arritmias são classificadas com base na velocidade e na origem do impulso elétrico. As mais comuns em pediatria são:

  • Taquicardias supraventriculares: são os ritmos acelerados mais frequentes na infância. Ocorrem quando um impulso elétrico anormal se origina na parte superior do coração (átrios).
  • Bradicardias: caracterizadas por um ritmo cardíaco mais lento que o normal para a idade da criança. Podem ser causadas por problemas no "marcapasso natural" do coração.
  • Extrassístoles: são batimentos cardíacos extras ou "falhas" que podem ser percebidos como uma pausa seguida de um batimento mais forte. Geralmente, são benignas.

Como identificar os sinais de arritmia no meu filho?

Os sintomas de arritmia podem ser sutis e variar muito com a idade da criança, o que torna a observação dos pais um fator crucial para o diagnóstico precoce.

Sinais em bebês e crianças pequenas

Em bebês, que não conseguem verbalizar o que sentem, os pais devem estar atentos a sinais indiretos, como:

  • Irritabilidade excessiva e choro inconsolável;
  • Dificuldade para mamar ou cansaço durante a alimentação;
  • Respiração ofegante e rápida;
  • Palidez ou coloração azulada da pele (cianose);
  • Suor excessivo.

Sinais em crianças maiores e adolescentes

Com o crescimento, as crianças conseguem descrever melhor seus sintomas. Fique atento a queixas de:

  • Palpitações: sensação de que o coração está "batendo forte", "acelerado" ou "falhando";
  • Tontura ou vertigem: sensação de que vai desmaiar;
  • Desmaio (síncope): perda súbita e breve da consciência;
  • Dor ou desconforto no peito;
  • Cansaço inexplicável ou queda no desempenho em atividades físicas.

Quais exames confirmam o diagnóstico?

Se houver suspeita de arritmia, o cardiologista pediátrico solicitará exames para avaliar o sistema elétrico do coração. 

Os principais são:

  • Eletrocardiograma (ECG): Registra a atividade elétrica do coração por alguns segundos. É um exame rápido e indolor.
  • Holter 24 horas: Um gravador portátil que monitora o ritmo cardíaco continuamente por 24 horas ou mais, durante as atividades normais da criança.
  • Ecocardiograma: Um ultrassom do coração que avalia sua estrutura e função, para descartar problemas anatômicos.
  • Estudo eletrofisiológico: Um procedimento mais invasivo, realizado em ambiente hospitalar, que mapeia detalhadamente o sistema elétrico do coração para identificar a origem exata da arritmia.

A utilização de monitores cardíacos modernos, como o Holter 24 horas, é crucial para definir tratamentos precisos e seguros. Essa tecnologia permite que os médicos escolham a melhor abordagem, seja com medicamentos ou ablação, proporcionando tranquilidade aos pais e uma recuperação saudável para as crianças.

Como é definido o tratamento para a arritmia infantil?

O plano de tratamento é sempre individualizado. A decisão do médico considera o tipo de arritmia, a frequência e a gravidade dos sintomas, a idade da criança e a presença de outras doenças cardíacas. As abordagens variam amplamente.

O tratamento da arritmia infantil é personalizado e seguro, sendo cuidadosamente definido pela gravidade dos sintomas e pela saúde geral do coração da criança. Essa abordagem individualizada visa garantir a plena recuperação, adaptando-se às necessidades específicas de cada paciente. Arritmias em crianças podem ser tratadas com sucesso através de medicamentos ou ablação cardíaca, procedimentos seguros que ajudam o coração a recuperar o ritmo normal.

Acompanhamento e observação clínica

Para arritmias benignas e assintomáticas, como a arritmia sinusal ou extrassístoles isoladas, a conduta mais comum é apenas o acompanhamento regular com o cardiologista pediátrico. Nenhuma intervenção é necessária.

Tratamento com medicamentos antiarrítmicos

Quando a arritmia causa sintomas ou representa algum risco, os medicamentos são frequentemente a primeira linha de tratamento. Fármacos como betabloqueadores ou outros antiarrítmicos ajudam a regular o ritmo cardíaco, diminuindo a velocidade dos batimentos ou prevenindo a ocorrência de "curtos-circuitos".

Este tratamento com medicamentos ajuda a controlar o ritmo do coração e prevenir complicações, garantindo maior segurança aos pequenos. O uso desses medicamentos exige acompanhamento médico rigoroso para ajustar a dose e monitorar possíveis efeitos colaterais. A medicação controla a arritmia, mas raramente a cura.

Ablação por cateter: um tratamento definitivo?

Para certos tipos de taquicardia, a ablação por cateter é uma opção de tratamento curativo. É um procedimento minimamente invasivo realizado por meio de cateteres inseridos em vasos sanguíneos na perna, que são guiados até o coração.

Uma vez no local, os cateteres identificam o ponto exato que causa a arritmia e aplicam energia (radiofrequência) para cauterizar o tecido, eliminando o foco do problema. Segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a ablação tem altas taxas de sucesso e baixo risco, sendo uma alternativa segura e eficaz para muitas crianças.

Como é a recuperação e a vida da criança após o tratamento?

A recuperação é um dos pontos de maior preocupação para os pais. Felizmente, na maioria dos casos, o prognóstico é excelente e a criança pode retomar uma rotina completamente normal.

É importante notar que, em alguns casos, as arritmias cardíacas infantis podem surgir após cirurgias no coração. Felizmente, essas arritmias pós-cirúrgicas são geralmente temporárias e costumam ser tratadas com medicamentos ou, em situações específicas, com marca-passos. Muitos pacientes demonstram recuperação completa já nas primeiras 24 horas após o tratamento.

Cuidados após a ablação

Após uma ablação por cateter, a criança geralmente permanece no hospital por uma ou duas noites para observação. É comum haver um pequeno hematoma no local da inserção do cateter. O médico pode recomendar um curto período de repouso, evitando atividades físicas intensas por uma ou duas semanas.

Retorno às atividades físicas e escolares

Após a liberação pelo cardiologista, a criança pode voltar à escola e às suas atividades habituais, incluindo a prática de esportes. Para muitos jovens atletas, o tratamento bem-sucedido da arritmia significa o retorno seguro à competição, sem as limitações impostas pela condição.

O mais importante é manter o acompanhamento médico conforme a orientação do especialista para garantir que tudo permaneça sob controle.

Quando devo procurar um cardiologista pediátrico com urgência?

Embora muitos casos não sejam graves, alguns sinais exigem avaliação médica imediata. Procure atendimento de emergência se a criança apresentar:

  • Desmaio ou perda de consciência, especialmente durante o exercício;
  • Palpitações acompanhadas de dor no peito, falta de ar intensa ou tontura forte;
  • Frequência cardíaca persistentemente muito alta ou muito baixa em repouso;
  • Em bebês, recusa alimentar associada à palidez ou sudorese.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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